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Cordas, correntes, contas, metais e bordados são as melhores amigas das bolsas. Quer apostar?

12 de jun.
6 min de leitura

Se tem uma tendência das passarelas internacionais que parece ter sido feita sob medida para o artesão brasileiro, é esta: as bolsas do Inverno 2027 chegam carregadas de cordas e correntes, e tudo o que envolve nó, trança, macramê e acabamento manual está em alta.

Por Canal Craft


Bordado em ponto cruz com rosas sobre couro preto e alça dupla com corrente dourada: o artesanato clássico no centro da passarela.        Dolce & Gabbana 
Bordado em ponto cruz com rosas sobre couro preto e alça dupla com corrente dourada: o artesanato clássico no centro da passarela. Dolce & Gabbana 

Nas semanas de moda, marcas como Onitsuka Tiger, Dolce & Gabbana, Moschino, Zimmermann, Zadig & Voltaire, My Bob, Topologie entre outras marcas mostraram que o detalhe artesanal é o que define a personalidade da bolsa. A boa notícia? Nada disso exige modelagem complicada. A mágica está na alça, no fechamento, no adorno — exatamente onde o trabalho manual brilha.

Entendendo a tendência


A força dessa tendência está na versatilidade. O mesmo recurso transita entre dois universos:

•       O lado despojado: cordas náuticas, cordões de algodão, alças trançadas e nós aparentes dão um ar esportivo, jovem e autêntico. É o acabamento “feito à mão” assumido, valorizado.

•       O lado sofisticado: correntes metálicas, finas ou estruturadas, combinadas com tecidos nobres como veludo e couro, elevam a peça para ocasiões especiais.

E o melhor: dá para aplicar tudo isso em uma bolsa de modelagem simples, como uma sacola, um saquinho de embutir ou mesmo uma clutch básica. Quem transforma a peça é o detalhe.



As referências das passarelas (e o que aprender com cada uma)

Zimmermann — Bolsa-saco em veludo mostarda com fechamento de cordões em couro, arrematados com ponteiras em formato de cone, e correntinha dourada delicada. Lição para o ateliê: invista em ponteiras e arremates caprichados nas extremidades dos cordões. É um acabamento barato que dá cara de produto de luxo.

Dolce & Gabbana — Bolsa de armação (aquela com fecho de “beijo”, bem vintage) em couro preto com rosas em ponto cruz e alça dupla: tira de couro + corrente dourada grossa. Lição: o bordado livre e o ponto cruz sobre a bolsa pronta estão valendo ouro. Resgate o ponto cruz da vovó sem medo!

Moschino — Carteira estruturada branca com alça de contas de madeira em tons naturais e escuros. Lição: contas de madeira, que encontramos fácil em armarinhos e casas de aviamentos, viram alça-colar e dão volume escultural à peça.

My Bob — Sacolas amplas de lona com alças de cordas trabalhadas em nós estilo macramê e paracord, em cores quentes (vinho, laranja, terracota), com tassels (pingentes de franjas) e chaveiros de cordão. Lição: esta é talvez a referência mais “traduzível” para o nosso mercado — lona crua tingida + alça de macramê removível com mosquetão.

Onitsuka Tiger — Bolsas tipo bag esportiva com cordas coloridas enroladas em espiral na alça, cadarços aparentes nos zíperes e lacinhos de tecido. Lição: o truque de revestir uma alça simples enrolando cordão colorido (técnica de espiral ou caracol) é rápido, gasta pouco material e renova até bolsa antiga.

Zadig & Voltaire — Bolsa plana preta com ilhoses metálicos espalhados e alça de corrente entrelaçada com tira de couro. Lição: ilhós + corrente entremeada com couro ou tecido é acabamento clássico que nunca sai de moda — e o alicate de ilhós resolve.

Topologie — Bolsa puffer (matelassê acolchoada) azul-clara com alça de corda trançada em rosa. Lição: o contraste entre tecido acolchoado fofinho e corda firme trançada é a combinação do momento. Nylon de jaqueta, sarja acolchoada com manta acrílica e corda de escalada ou náutica resolvem o look.

Traduzindo para os materiais para o nosso ateliê


Presta atenção: não precisa importar nada. Olha só quanta coisa nossa, brasileira, entra nessa tendência:





•       Cordão São Francisco e cordão de algodão cru: perfeitos para macramê e tranças. Aceitam tingimento, inclusive natural (casca de cebola, urucum, café).

•       Corda náutica e paracord: vendidas por metro em lojas de aviamentos e na internet, têm cores vibrantes e firmeza ideal para alças.

•       Sisal e juta: para versões mais rústicas, com cara de praia e de feira de artesanato — combinam demais com crochê de fio de malha.

•       Fio de malha: o queridinho brasileiro entra fácil: alças de crochê grosso, tranças embutidas e nós volumosos. E ele já nasce sustentável, pois é feito de sobras da indústria têxtil.

•       Correntes de armarinho: as correntes grossas tipo “gourmet” em metal dourado ou prateado, vendidas por metro, substituem bem as importadas. Misture com tira de couro sintético ou camurça trançada por dentro dos elos.

•       Contas de madeira e miçangões: para alças no estilo Moschino. Use cordão encerado grosso ou fio náutico fino para enfiar.

•       Lona, sarja e brim: bases acessíveis para o corpo da bolsa, deixando o investimento (e o destaque) para a alça.

•       Retalhos de couro e ponteiras: sapatarias e curtumes vendem retalhos baratos, ótimos para arremates, ponteiras e reforços. Dica de ouro: faça alças removíveis, com mosquetões e argolas. Assim a cliente compra uma bolsa e duas ou três alças diferentes — e você aumenta o tíquete da venda.


Sustentabilidade: reaproveitar é tendência (e é negócio)

Antes de sair comprando material novo, olhe para o que você já tem. Essa tendência é uma das mais amigas do reaproveitamento, e o consumidor de hoje valoriza — e paga mais — por peças com história e consumo consciente.

•       Garimpe em casa e no ateliê: cordas de varal, cadarços de tênis, alças de mochilas velhas, correntes de bolsas antigas e até colares quebrados viram alças e adornos cheios de estilo. O cadarço colorido enrolado na alça, visto na Onitsuka Tiger, é literalmente isso.

•       Sobras viram produto: retalhos de fio de malha, pontas de corda e contas avulsas rendem tassels, chaveiros e pingentes de nó — itens de baixo custo e giro rápido, ótimos para compor kits e aumentar o valor da venda.

•       Upcycling de bolsas: aquela bolsa de brechó com modelagem boa mas visual cansado renasce com um bordado livre, ilhoses novos e uma alça de corrente. Você cria uma linha exclusiva gastando pouco.

•       Tingimento e segunda vida dos tecidos: lonas desbotadas, jeans usado e sarjas antigas aceitam tingimento e viram base nova para o corpo da bolsa.

Transforme a tendência em serviço e faça o conserto que vira encanto

Aqui mora uma oportunidade que muito artesão deixa passar: além de vender bolsas novas, você pode oferecer reforma e customização como serviço.

Pense em quantas clientes têm uma bolsa querida parada no armário porque a alça arrebentou, o couro da tira ressecou ou a corrente descascou. Em vez de descartar, ela pode trazer a peça para você:

•       Substituir uma alça danificada por uma alça de macramê, corda trançada ou corrente de armarinho, a bolsa volta melhor do que era;

•       Revestir uma alça gasta enrolando cordão colorido por cima (a técnica da espiral esconde o desgaste e moderniza na hora);

•       Cobrir manchas e marcas com bordado livre ou ponto cruz, no espírito Dolce & Gabbana;

•       Adicionar tassels, pingentes e chaveiros de nó para repaginar uma peça sem graça.

É um serviço de alto valor percebido, baixo custo de material e que fideliza: a cliente que reforma uma bolsa com você volta para comprar a próxima. E ainda comunica um propósito — menos descarte, mais afeto pelas coisas que duram. Vale divulgar isso nas redes: o antes e depois de uma bolsa reformada é conteúdo que engaja muito.


Adaptando para o calendário do artesão

A tendência rende o ano inteiro. Veja como encaixar nas principais datas:

•       Dia dos Namorados e Dia das Mães: versões românticas — bolsa de tecido com bordado livre de flores (inspiração Dolce & Gabbana), corrente dourada delicada e lacinho de cetim.

•       Festas Juninas: é a data que mais conversa com a tendência! Corda de sisal, juta, chita no forro, nós rústicos e tassels coloridos. Uma bolsinha saco de chita com alça de corda é produto certeiro para as quadrilhas e arraiás — e os retalhos de chita que sobram viram pingentes.

•       Férias de julho e de janeiro: aposte na linha esportiva estilo Onitsuka Tiger — necessaires e bags com cordas coloridas enroladas, cadarços náuticos e chaveiros divertidos. Ótimas para viagem, colônia de férias e praia.

•       Dia dos Pais: a tendência também é para eles. Shoulder bags e necessaires em lona escura ou couro sintético com detalhes de paracord (verde militar, preto, laranja) têm apelo masculino e utilitário. Jeans reaproveitado fica ótimo aqui.

•       Dia dos Professores: bolsas-sacola tamanho “cabe caderno e marmita”, em lona resistente, com alça de macramê confortável no ombro. Personalize com tassel nas cores favoritas da homenageada.

•       Dia das Crianças: mini bolsinhas com alça de contas de madeira coloridas ou cordões vibrantes, e chaveiros de bichinhos feitos de nó (como o macaquinho de cordão da My Bob). Segurança em primeiro lugar: para os pequenos, prefira contas grandes e bem firmes na amarração.

•       Natal e Ano Novo: entra a versão festa — clutch ou bolsa-saco de veludo (inspiração Zimmermann) com correntinha dourada, e modelos em tons de dourado, prata e branco para o réveillon. Sobras de veludo de outras peças rendem mini bags lindas para presentear.

Por que vale apostar

Essa tendência agrega valor visual sem exigir mudança de modelagem. Você pode manter os moldes que já domina e renovar a coleção inteira só trocando alças, fechamentos e adornos. É menos retrabalho, menos desperdício de material e mais espaço para a sua assinatura artesanal aparecer — que é exatamente o que o mercado está valorizando agora.

Mãos à obra: separe as cordas, desenrole as correntes, abra a caixa de retalhos e bora criar!

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