Os acessórios das estações
Atualizado: 16 de set.
Já tendências para primavera/ verão: o lenço que vira roupa e outras tantas coisas e a franja que balança nas bijuterias. Tudo pode ser feito a mão, no seu ateliê, do tingimento à conta aplicada uma a uma e com franjas como manda o figurino.
Nem toda tendência que aparece nas passarelas se confirma no varejo, por isso o acompanhamento do que aparece nas redes sociais, nos editoriais de moda e passarela é tão importante: mostra o que de fato ganhou tração entre pessoas reais, marcas e influenciadores. Partindo de dados do Instagram, do TikTok, do Pinterest e do Google Trends, dois elementos de acessório se firmaram para a primavera-verão 2026/27: a estética lenço e as franjas nas joias e bijuterias. Os dois têm algo em comum que interessa a quem produz à mão. Nascem de técnicas antigas, acessíveis e cheias de possibilidade.
O lenço vira roupa, e volta a ser feito à mão
O lenço deixou de ser só um detalhe no pescoço ou na cabeça, sem perder a sua majestade. Nas próximas temporadas, ele vira a própria roupa, por meio de amarrações, nós e sobreposições que transformam tecidos leves em blusas, saias e vestidos. Como acessório, segue firme na cabeça, em formato de bandana e de lenço amarrado, registrando crescimento de 110% nas buscas do Google Trends. O visual se apoia em estampas marcantes e, sobretudo, no barrado, aquela moldura de desenho que corre pelas bordas e dá ao lenço a sua identidade.
E é justamente o barrado que abre o trabalho para o artesão. Um lenço bonito é, no fundo, um quadrado de tecido leve resolvido com capricho nas bordas. A partir daí, cada técnica leva a um resultado diferente.
O tingimento manual é o caminho mais direto. Técnicas de reserva como o shibori e o batik, ou o tingimento natural com plantas e raízes, transformam um simples quadrado de seda ou algodão em peça única, com aquele efeito de água e de mancha que nenhuma impressão industrial repete igual.
A estampa à mão entra quando se quer desenho definido. Carimbos de blocos, estênceis e pintura direta sobre a seda constroem tanto o barrado quanto os motivos centrais, os mesmos náuticos, florais e geométricos que a tendência pede.
O bordado resolve as bordas e os cantos. Um bico bordado, um monograma no canto ou pequenos motivos espalhados dão ao lenço o ar de peça de enxoval e valorizam o acabamento, que é onde o olho pousa primeiro.
O tricô e o crochê oferecem a versão em fio. A bandana triangular de crochê ou o bico de crochê contornando um lenço de tecido, une duas linguagens e agrega a textura que só o ponto feito à mão consegue dar.
A franja e a conta tomam conta das bijuterias
Se o lenço domina o corpo, a franja domina os acessórios. Confirmado o protagonismo das franjas como elemento em forte crescimento nas joias e bijuterias, com espaço para investir em maior volume. O diferencial da temporada está em fugir do óbvio. Em vez da franja de tecido tradicional, os modelos exploram uma variedade grande de materiais e de tamanhos, das borlas maxi e chamativas às versões pequenas e delicadas. Aparecem correntes em cascata, contas de vidro, pérolas, sementes, pedras naturais e conchas, combinadas a banhos dourados e prateados, cordões de couro e formas esculturais. Nos colares, a franja alonga o colo. Nos brincos, resolve o movimento.
Poucos territórios são tão do artesão quanto este. A bijuteria de conta e franja são feitas, essencialmente, de dois gestos: passar pelo fio e amarrar.
A passagem de contas é a base. Miçangas, sementes, pérolas de vidro e pedras furadas viram colares e brincos com um fio, uma agulha e paciência. Técnicas de tecelagem de miçanga, como o ponto peyote, permitem construir superfícies e volumes mais elaborados, para quem quer ir além do colar simples.
A borla, ou tassel, é a assinatura da temporada. Ela pode ser feita de linha, de corrente fina, de fios de miçanga ou de sementes, e é uma das técnicas mais fáceis de dominar, como mostra o passo a passo a seguir. É o elemento que traz o movimento fluido que a tendência valoriza.
Os materiais brasileiros são um trunfo. Sementes, fibras naturais, madeira e conchas dão à bijuteria uma identidade local forte, alinhada ao gosto atual por peças de aspecto artesanal e natural. É a chance de o ateliê brasileiro responder a uma tendência global com a própria matéria-prima.
Como montar o tassel, passo a passo 1. Enrole a linha várias vezes em torno de um pedaço de papelão, na altura que você quer para o tessel. Quanto mais voltas, mais cheio fica. 2. Passe um fio por cima, na borda superior do papelão, e amarre firme. Esse fio será o topo do tessel e o ponto por onde ele se prende. 3. Corte a linha rente à borda de baixo do papelão e retire o papelão. 4. A alguns milímetros do topo, enrole outro fio bem apertado em volta de todos os fios, formando o pescoço do tessel, e dê o nó. 5. Apare as pontas para deixar a barra reta. Pronto: é só prender no brinco, no colar ou na própria barra do lenço. |
Aposta confirmada, técnica conhecida
Para o ateliê, a leitura é convergente: lenço e franja são tendências já confirmadas pelo comportamento real do público, ambas com forte crescimento e espaço para volume. Melhor ainda, as duas se apoiam em técnicas que o artesanato brasileiro domina há gerações, do tingimento à conta enfiada uma a uma. Traduzir a tendência global para a matéria-prima local não é só possível. É o caminho mais valioso.




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